Cognus Psicologia

Aqui você conhece uma pouco mais sobre a Terapia Cognitivo- comportamental

Quando se deve procurar ajuda psicológica?

A Atuação Clínica e a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC)

Como surgiu a terapia cognitiva comportamental

 

Muitas pessoas me perguntam em que situações alguém deveria procurar um psicólogo. Outras questionam ainda para que serve um psicoterapeuta. Muitos confundem psicólogo com médico, ou ainda, com uma pessoa capaz de resolver os problemas de cada um num passe de mágica. Mas finalmente, quem é o psicólogo e o que ele faz? Com esse artigo espero tocar em alguns pontos que percebo serem confusos para algumas pessoas com quem tive a oportunidade de conversar.

 

Quando se deve procurar ajuda psicológica?

"Em qualquer situação do dia-a-dia procuramos ajuda quando não conseguimos por conta própria fazer alguma coisa ou ainda quando as dificuldades seriam menores ao resolver um problema com a ajuda de uma outra pessoa. É semelhante em relação à procura por psicólogo."

O ser humano é dotado de uma tendência a encontrar o equilíbrio interno e em relação ao meio ambiente. Essa tendência também funciona em relação aos aspectos emocionais. Sempre que alguma coisa nos incomoda, nos deixa triste ou ainda ansioso tendemos a agir de alguma forma para que possamos encontrar o nosso equilíbrio emocional. Na maior parte das vezes esse equilíbrio é alcançado por conta própria, pois com o tempo aprendemos a lidar com essas situações e adquirimos o que chamamos de recursos de enfrentamento. Considerando-se que na vida passamos por alto e baixos, aqueles que lidam melhor com as situações problemáticas são mais felizes. Quando, por algum motivo, não se torna possível utilizar os recursos de enfrentamento para resolver algum problema emocional aconselha-se a procura de um acompanhamento psicológico. O psicoterapeuta vai trabalhar junto ao cliente de maneira atenciosa e calorosa no sentido de estar compreendendo e aceitando os problemas apresentados para que este possa recuperar ou aprender os recursos de enfrentamento necessários para uma vida mais equilibrada e satisfatória. Lembrando-se sempre que não é o psicólogo que vai resolver os problemas do cliente. Para que a terapia funcione é de grande importância que a forma como a pessoa que procura ajuda se porta. Quando se estabelece um bom relacionamento e ambos estão dispostos para que o processo funcione e, principalmente, quando o cliente participa ativamente no seu processo de mudança os resultados são positivos.

Penso no psicólogo tal como um professor. Sua função é ajudar o outro de tal forma que com o tempo ele não se faça tão necessário.

 

A Atuação Clínica e a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC)

Como foi visto anteriormente a psicologia pode atuar em várias áreas, sendo a clínica apenas umas destas. Dentro da área clínica ainda existe o que se chama de linhas teóricas. Cada linha teórica tem uma forma de tratamento e uma forma de lidar com a pessoa que procura ajuda. Qualquer paciente que procura um psicólogo o faz por causa de emoções desagradáveis que o paciente não encontrou meios de lidar. A proposta da TCC é de oferecer meios para que as pessoas que procuram esse tipo de serviço possam lidar com suas emoções por conta própria (sem criar uma dependência pelo psicólogo). Cada um de nós vê o mundo por uma ótica semelhante, mas não igual. Muitas vezes a percepção de algumas situações chega a ser tão discrepante do que realmente é, que algumas pessoas sofrem pela avaliação negativa feita. Ao se trabalhar com a percepção de mundo a TCC, antes de qualquer coisa, trabalha a formação de uma consciência mais crítica das possibilidades que se apresentam. A possibilidade dada ao paciente pela TCC de “tomar as rédeas de sua vida” é a proposta de uma teoria que acredita que todo ser humano, mesmo sendo influenciado por suas condições ambientais e genéticas, pode construir o seu futuro de acordo com o que se apresenta. O objetivo é fazer com que quem nos procura possa saber como se posicionar e como procurar formas de viver uma vida mais saudável e feliz.

 

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Como surgiu a terapia cognitiva comportamental

"As origens históricas da terapia cognitiva, datando de 1956, podem ser resumidas como segue. Aaron Beck, na tentativa de fornecer apoio empírico para certas formulações psicodinâmicas de depressão (que Beck achava serem corretas na época), encontrou algumas anomalias - fenômenos inconsistentes com o modelo psicanalítico. Especificamente, a conceitualização psicanalítica (Freud, 1917/1950) afirma que os pacientes deprimidos manifestam hostilidade retrofletida, expressada como 'masoquismo' ou uma 'necessidade de sofrer'. Contudo, em resposta a experiência de sucesso (atribuições de tarefa graduada em um ambiente de laboratório), os pacientes deprimidos pareciam melhorar em vez de resistir a tais experiências (Beck, 1964; Loeb, Beck & Diggory, 1971). Isto levou Beck e seus colegas a novos estudos empíricos e observações clínicas, na tentativa de entender as anormalidade. O eventual resultado foi a reformulação da depressão como um transtorno caracterizado por uma profunda tendência negativa. O conteúdo fenomenal desta tendência incluía expectativas de resultados negativos (conseqüências do comportamento) na esfera pessoal, e uma visão negativa de self, contexto e objetivos. Concomitantemente, foram feitas tentativas de modificar o conteúdo e as distorções cognitivas negativas, resultando em desenvovimento e avaliação de estratégias terapêuticas. Subseqüentemente, o modelo foi aplicado a outros transtornos para testar os limites da nova formulação.

A partir desse resumo capsular, pode-se ver que a teoria cognitiva originou-se de tentativas de testar os princípios teóricos específicos da psicanálise. Quando tal evidência não surgia, outras explicações eram consideradas. Portanto, a terapia cognitiva desde o começo foi impulsionada por interesses teóricos."

BECK, Aaron; ALFORD, Brad. O Poder Integrador da Terapia Cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. p. 23

 

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