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Cognus Psicologia

Aqui você conhece uma pouco mais sobre a Terapia Cognitivo- comportamental

O lagarto vigarista

 

            Um homem morreu e foi para o céu. Era exatamente como ele tinha imaginado, com portões dourados e São Pedro sentado atrás de uma mesa na portaria. Milhares de pessoas empurravam-se contra os portões tentando entrar. Mas eles tinham algo diferente – havia um pequeno lagarto sentado no ombro de cada um, e todos os lagartos pulavam e gritavam nos ouvido das pessoas. Diziam coisas como: “Você está no lugar errado, é uma armadilha, não chegue perto do homem que está na portaria porque ele tentará  prender você lá. Este lugar vai acabar com você. Me escute, sou o único que está ao seu lado. Sou seu amigo, não ouça mais ninguém, saia daqui antes que seja tarde demais”. Então o homem percebe que também tem um lagarto no seu ombro, gritando as mesmas coisas. Chegando até São Pedro, diz: “Duvido que você me deixe entrar. Cometi muitos pecados do qual me arrependo, então talvez não seja bom o suficiente para entrar no céu”. Mas São Pedro diz: “Não se preocupe. Todo mundo peca. Todos os que quiserem entrar podem fazê-lo e serão bem vindos. Existe apenas uma regra, mas não posso dizer qual é, você terá que descobrir sozinho”. Assim, o homem começa a atravessar o portão. No meio do caminho bate em alguma coisa. É como um escudo invisível, que não consegue ultrapassar. Continua tentando, sem sorte, pois continua batendo no escudo. Nisso vê um anjo do outro lado que indica uma placa no alto do portão: Lagartos devem ser contidos. O homem coloca uma focinheira em seu lagarto e entra.

            Todos os dependentes químicos nascem com um lagarto em suas costas. É freqüente que haja uma mãe, um pai, um avô, talvez um tio ou outro membro na família que também tenha o seu lagarto. Eles ficam adormecidos até que a pessoa comece a beber ou experimentar drogas, em torno dos 14 anos; ai o lagarto acorda. No início, age como uma criança mimada e berra: “Eu quero minha droga! Quero minha bebida!”. Quando não consegue o que quer, tem um ataque e implora até conseguir. Quanto mais o lagarto tem, mais quer, continua exigindo mais, mais e mais. Com a experiência, você começa a mandar o lagarto se calar, lembrando do que aconteceu quando o alimentou antes. Ele é esperto e conhece todos os truques  capazes de enganar você. Às vezes ele se disfarça como se fosse a sua mãe (a mãe lagarta) e começa a sussurrar coisas como: “Coitadinho. Estou apenas tentando te ajudar. Você está tenso, precisa da droga para relaxar”. Outras vezes, disfarça-se de macho (o lagarto Rambo) e diz: “Como você é frouxo! Claro que pode agüentar alguns goles. Deixe de frescura!”. Como um ator Shakespeareano (o lagarto Hamlet), faz uma cena assim: “Oh! A vida é tão cheia de dor e amargura. Somente a droga nos ajuda a suportar a inutilidade de nossa existência”. É às vezes o lagarto é tão ardiloso que parece disfarçado de terapeuta (o Lagarto Freud). Ele lhe diz: “Vamos para o bar, sentar e pedir uma coca-cola só para provar que você não cede mais a tentações”.

            Não importa que golpe ou vigarice o lagarto aplique, ele quer sempre a mesma coisa – droga – e continuará pressionando cada vez mais até conseguir.

            Você nunca consegue se livrar de seu lagarto, mas se parar de lhe dar bebida ele se calará e raramente voltará a incomodar. O fato é que, para mantê-lo  sob controle, você nunca pode ceder; apenas um pouco de disciplina não resolve. Você é mais forte que o lagarto. É preciso, entretanto, identificar-lhe os vários disfarces e expor as mentiras dele. A melhor maneira de derrotar  um lagarto vigarista e conhecer seu truque.

 

Retirado do Livro "Manual de Técnicas em Terapia Cognitiva - de Rian E. McMullin